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Patris - Israel

  • Liza
  • 26 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 15 de dez. de 2025

A Patris é aluna do 12ºB, veio de Israel e mora em Portugal há 3 anos.

A comida, as pessoas e a cultura são as principais diferenças entre Portugal e Israel. Em Israel come-se muito à base de carne e qualquer comida é muito temperada e picante porque os hábitos dos israelitas têm influências turcas e árabes. Já em Portugal a comida é bastante equilibrada entre carne e peixe e bacalhau. Em Israel as pessoas são mais impacientes, enquanto que em Portugal são mais calmas e pacientes. Em relação aos pontos comuns entre os países, na verdade, não há muitos, mas é principalmente idêntico na forma como as pessoas vivem o seu dia a dia.

Quando a Patris chegou a esta escola, não sabe bem o que a impressionou mais, mas diz que gosta muito dos professores desta escola. Afirma que em Israel o ensino é mais exigente e há muito mais disciplina do que na escola em Portugal. Por exemplo, em Israel, quando toca para a entrada, os alunos já têm de estar dentro da sala de aula à espera da professora. E, assim que ela entra, os alunos levantam-se em sinal de respeito e cumprimentam a professora. Sempre que um aluno quer falar na aula, já sabe que tem de levantar o dedo.

As aulas vão das 8:30 às 16:30. Mas as turmas são diferentes. Tal como cá existem as áreas da Humanidade e Técnico-Científico, lá existem as áreas de Ciências, Humanidades, Tecnologia e Militar. Ela estava na área militar, onde aprendeu manutenção, informática e outras áreas. Saiu de Israel com 16 anos, mas se lá tivesse estado mais dois anos teria que fazer o serviço militar. Todos os rapazes e raparigas têm que entrar aos 18 anos e até completarem os dois anos e cinco meses de serviço não podem pensar noutra coisa. Na escola também tinham saídas da escola para cumprir serviço público, ou seja, tinham que ajudar a comunidade e faziam isto de três em três meses. Por esse motivo, o mais a impressionou quando chegou a esta escola foi a falta de disciplina e o à-vontade com que os alunos falam dos e para os professores ou outras pessoas mais velhas. Cá, os alunos berram muito e gritam e não sabem falar corretamente, e pensa que devia de haver mais respeito. Em Israel, a disciplina era dada pela escola e os castigos também, e se fazias parte da turma militar, então eras mais castigado, servias de exemplo para o resto da escola. Lá os alunos crescem mais rápido acrescenta ela. As crianças com Necessidades Educativas têm aulas próprias e estão numa turma à parte, para estarem mais protegidos porque são crianças que precisam de mais atenção, o que não acontece aqui.

Relativamente ao ensino da Língua Portuguesa, ano sim, ano não, a aluna sentiu mais ou menos dificuldades. Ela refere que sempre que teve apoio de um professor de PLNM, o português tornou-se fácil, mas quando teve de trabalhar dentro de uma turma, ao mesmo tempo que os outros alunos, não sentiu que tivesse aprendido como deveria. Porque não sentiu que realmente estava a aprender, desligou um pouco do que a se passava à volta.

Ela sente falta da comida forte e picante, porque adora aqueles sabores vigorosos. Aqui a comida é mais suave. Até os sumos são diferentes, são mais… suaves. Tem saudades de ouvir falar o hebraico, a sua língua. E sente falta de viver num ambiente mais citadino, porque lá conseguia deslocar-se com mais facilidade e chegar a pontos da cidade mais distantes. Não importa a hora a que saísse de casa encontrava sempre um amigo na rua. Aqui sente-se muito limitada e um pouco deslocada. Não há o movimento da cidade, os transportes são um pesadelo e os seus horários horríveis, diz ela.

Questionando a Patris sobre a sua opinião da integração dos emigrantes em Portugal, respondeu o seguinte:
"Depende dos estrangeiros, do país de onde vêm e da sua língua materna. Acho que os portugueses são um pouco racistas e preconceituosos, pelo menos nesta parte do país. Penso que quando um estrangeiro vem para Portugal deveriam perguntar ou tentar saber porque saímos do nosso país, se foi porque não nos sentíamos seguros, por ser muito perigoso e haver muita violência ou se foi porque estamos à procura de uma vida melhor, longe de confusões. Aqui sinto que muitas vezes olham para mim com desconfiança e sinto que me julgam."

E para finalizar, neste momento ela já não precisa de nenhum apoio. O apoio que precisava gostaria de o ter recebido no primeiro ano que entrou para a escola, mas não o teve. "O primeiro ano é muito importante porque é nesta altura que vamos ganhar as primeiras impressões sobre o país, vai-nos dar a conhecer as pessoas, como são e como fazem. É esta a primeira ideia que fica e é esta a ideia com que vamos ficar do país e das pessoas", onde eu, pessoalmente, concordo com a aluna.

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